quarta-feira, 9 de junho de 2010

Deixa os morangos mofarem...

Não quero mudar isso, quero que fique do jeito que está, sem atar ou desatar, quero assim, é melhor assim, não só para mim, mas para ambos, já ouviu o ditado "o que for pra ser será?", pois então! Deixa estar, se for pra ele vir me cobrir de beijos ou passar por mim e achar que nem me conhece, isso é assunto pra depois, deixa pra depois...Deixa o mundo se encontrar, deixa eu me encontrar, deixa ele se encontrar, se encontrar além dos lençóis manchados de esperma, do suor, do tesão, da luxúria, do carinho, do sexo, da boca nele em mim, ou da minha boca nele...
Não sei se é amor, apego, raiva, desgosto ou sonho, nem ele sabe, na verdade ele não irá saber por um longo espaço de tempo, eu quero assim, eu sou assim com ele, sempre fui. Deixa os morangos mofarem, o vinho ficar velho, o verão chegar, deixa estar. Perto dele tremo de paixão e ódio por dentro, longe dele mais ainda, ó paradoxo desgovernado, ó meu bem querer, meu bem querer para mim em segredo, doces pernas estrelaçadas nas minhas é com isso que me sinto bem, com a canção cantada por ele, com a triste e gostosa imagem de me ver partindo junto a ele na janela do ônibus, com o gosto de trabalho bem feito, meu trabalho de talvez amá-lo em silêncio, dele mexer comigo e nem saber disso, meu trabalho de amante, da maneira mais pobre que me deram o dom, em silêncio e nada mais. Deixa os morangos mofarem...