segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Carrego a mim.

O que haveria de ser, se não me toca quem fui outrora? Ainda sou eu num momento difuso e repentino, porém as margens renovadas são tão reais quanto a mim. E assim me vejo nos caminhos que me levarão ao sol maior, mais estreito talvez, com a mesma cara antiga da estrada e, no mesmo tempo diferente.
As fontes são novas, mais rígidas e maiores, o verde do campo continua belo e vivo como sempre foi. As casas estão lá quando preciso delas, e em minhas mãos já não carrego o meu próprio coração, carrego a mim. E por vezes rotineiras, enxergo o meu espelho, impactante, suas palavras que outrora eram apenas sublimes não existem mais. O que as palavras pronunciam agora são interrogações.
Com um leve suspiro não as respondo deixo pairadas no ar, penso e sigo em frente, pensando me sinto viva, vivendo continuo andando. Não preciso saber, nem mesmo o meu espelho, pois a resposta sempre vai estar naquilo que carrego hoje, e carregarei para os restos desses caminhos renovados.
O que carrego? Carrego a mim.

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